quinta-feira, 22 de junho de 2017

(y)

o conforto e o estranhamento simultâneos de escrever diário num blog que não tem leitores.

é bom mas sintomático.



~e me sinto bastante com 13 anos de idade quando releio o que escrevo pelos dias.

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com MUITA raiva (mentira to nao sei ter raiva nao) que ontem entrei no site pra preencher o formulário e reservar ingresso pra orquestra próxima quarta,
já tinha acabado o primeiro lote.
aí lá vou eu pra fila uma hora antes de abrir a bilheteria, próxima quarta-feira.

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retorno à incapacidade de sentir raiva.

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uma certa pena da minha terapeuta nessa sexta-feira,
que essa semana foi emocionalmente difícil, pesada, com retorno a estágios apáticos demais e difíceis de "mexer".
uma volta a um estágio em que pareço não me ajudar de propósito,
quando na verdade só estou sem conseguir isso mesmo.


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acho que amanhã vou estudar só gramática.

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desenrolei o outro trabalho longo/difícil de uma das disciplinas do doutorado,
vou fazer algo mais simples.
então talvez eu pegue uma semana aí direto só estudando pro concurso.

coloquei um aviso na minha porta "estudando, por favor não fale comigo", que na livre interpretação da minha mãe é "entra aí fica conversando aqui comigo por favor de preferência sobre coisas não importantes".

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meu emocional precisa me ajudar.
uns dias muito punks que se passaram.

hoje

terminei um dos trabalhos finais das disciplinas de doutorado desse semestre. já enviado.
faltam só dois, que são enormes, ehhe.
um desses dois acho que vou modificar a proposta, e fazer algo que se aproveite pro trabalho que vou apresentar no congresso em agosto. já que é a disciplina justo de literatura comparada e ensino, vou comparar os dois contos da ditadura (o trabalho do congresso é esse). são os contos "o pelotão", de sérgio sant'anna, e "o general está pintando", de hermilo borba filho.

eu ia fazer algo mais complexo sobre personagens femininos, já aproveitando pra minha tese,
mas acho que não tenho bagagem ainda. e como tô estudando pra esse concurso, e ainda tem a disciplina sobre machado de assis, o trabalho pra fazer, no caso, não vou dar conta de fazer coisas boas.
e pra esse trabalho final da disciplina de machado tenho de reler dois dos romances!

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meio confuso conciliar estudos pro doutorado e estudos pro concurso.
bom que eu gosto dos dois.
não é tão cansativo quanto estudar algo que não gosta.

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ainda é muito desafiador organizar as ideias pro doutorado, estudar e sentir que me aproprio das teorias. tudo muito abstrato. é difícil "compartimentalizar", colocar as coisas em gavetas cognitivas. sei lá.
em psicologia isso era mais possível, eu acho.

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conviver com bebês é um alívio pra sintomas depressivos.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

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tem um momento aparentemente muito definidor do ciclo depressivo e difícil de convencer o outro de que ele é real sem parecer muito extremista, muito infantil ou carente de atenção,
que é uma convicção muito peremptória de que você não vai se sentir feliz novamente,
em nenhum momento daqui em diante.
é impossível racionalizar isso pra explicar como se chega até esse lugar/tempo,
e também é impossível racionalizar de modo a desmistificar, desfazer, e ir para um estágio mais esperançoso.
a referência parece boba mas me lembra muito a alusão feita em harry potter sobre a presença dos dementadores: você sente como se não fosse ser feliz nunca mais, se sente sem nenhuma esperança.

é bem pior que a apatia porque nela se sente pouco o tudo.
nesse estágio não existe o desespero nem iniciativa de nenhum tipo (boa ou ruim), mas a convicção é muito certa.
evidente que se o ciclo se esvair, se não tiver um fim ruim, se não ficar "pra sempre", essa convicção é revertida. mas enquanto ela permanece, enquanto está estabelecida, é algo fixo, até imanente,
e desaconselhável de conversar sobre.
as interpretações podem ser erradas, podem ajudar pouco.

quer dizer

sua mãe quer que você passe num concurso (ela só fala nisso)
você tá estudando pro concurso
ela não para de interromper
música clássica me dá uma certa angústia, às vezes.
outras vezes me dá muita angústia.

aparentemente, encontrei um erro conceitual importante no livro de fiorin explicando bakhtin.
ele inverte os conceitos de forças centrífugas e forças centrípetas da linguagem, em um momento apenas. depois "se contradiz", ou seja, fala o conceito corretamente.
mas mandei um e-mail pro professor, antes de escrever pro próprio fiorin. (tô pensando em fazer isso sim, já que é um conceito importante e complicado estar explicado de forma invertida; nem todo mundo percebe, ainda mais que o livro é ajudando a entender bakhtin).

na página 135, fiorin fala assim:
"a epopeia é a expressão das forças centrífugas que agem sobre a linguagem e, por isso, é monológica. o romance é a materialização das forças centrípetas e, por isso, é dialógico."
mas o inverso é o verdadeiro.

tanto que na página 138 ele enfatiza os conceitos:
"nas línguas, como já se disse, atuam forças centrípetas e centrífugas. aquelas buscam o fechamento, a unidade, a homogeneidade; estas, a abertura, a diversidade, a heterogeneidade. aquelas aspiram ao monologismo, estas buscam desvelar o dialogismo constitutivo."

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preciso mandar apertar meus óculos.

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comecei a ler o quadrinho "você é minha mãe?", de alison bechdel.
tô gostando do estilo.
ela lê e entende e comenta muito de psicanálise, de winnicott, de freud, e mais,
e isso só me lembra que eu deveria ler e entender e comentar com facilidade sobre esses assuntos também.
sempre que o assunto psicanálise surge as pessoas olham pra mim como se eu soubesse tudo sobre.
eu não faço a menor ideia de nada.