sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

salvando

em semanas de crise aguda, minha mãe toma providências que me ajudam de um jeito brando. os céticos são contra, mas eu não. :)
ela aplica reiki,
coloca determinados aromas, de óleos essenciais,
também já tinha colocado uma luz colorida no meu quarto, que você pode colocar numa cor que esteja "precisando", como o azul, pra acalmar,
manda manipular florais de bach (me ajudam muito),
e hoje ela foi para uma espécie de retiro onde faz um trabalho espiritual nas pessoas, presencialmente ou a distância. ela fez em três diferentes pessoas, e uma delas era eu, que nem sabia que ela tinha ido fazer isso. e, sim, hoje foi um dia bem mais leve, menos penoso, mais pé no chão e brando, assim como ela tem sido comigo. só foi difícil a hora da terapia, mas foi necessário ser.


virá

a tv da sala quebrou ha alguns dias e não temos como comprar outra agora. quando meu pai vem aqui a gente vai logo jantar e demora mais na mesa e passa muito tempo conversando sobre coisas que se inventam na hora. falando de pessoas aleatórias e de pessoas que já morreram. falando sem pressa e sem distração.

até que tem sido bom.

~

ontem fui pra sessão de meditação no budismo e chorei mais que meditei. foi péssimo.
espero que amanhã dê certo. eu medite. pelo menos o nariz não escorre nem incomodo ninguém.

~
quinze dias faltam para eu viajar pra brasília e estou com o coração muito apertado com isso.
em deixar minha mãe aqui, em ficar longe dela e da minha cachorra. é só um semestre, mas é muito, é um tempo longo. e eu não estou bem, então ficar longe de casa é mais difícil ainda. é como se fosse uma distância muito muito maior.
ainda mais que vou pra casa do meu irmão, e aí terei outra rotina, outros afazeres, e todos os desafios de frequentar aulas em uma universidade diferente, pela primeira vez em dez anos.

fico gritando pra mim 'deixa de frescura e vai, beatriz'.
mas meu coração segue apertado.
eu sigo com medo, com um pouco de angústia, e sentindo as dores de sempre por dentro do coração.


etc

estou lendo o livro "cartas" de graciliano, cartas que ele escreveu para amigos, família e esposa ao longo da vida, principalmente para a esposa.
ele é bastante mal-humorado em muitas delas. de um jeito bastante cômico até. e nas cartas para a esposa é absolutamente romântico, entregue. é lindo.
tem uma carta que ele se queixa à esposa de um amigo dele, que postou uma carta no correio três meses depois de a ter escrito. então ele já escreveu a resposta, mas vai esperar três meses para enviar a carta de volta. só por isso. em carta escrita ao pai, ainda antes de ele escrever seus romances, ele diz que foi um bocado doido, que nunca fez nada que preste, que é burro como o diabo. e para a esposa, com quem casou-se poucos meses depois de a conhecer, escrevendo, nesses poucos meses, várias cartas apaixonadas: "não te quero enganar. sou muitíssimo pobre. receio fazer-te infeliz. entretanto, se quiseres ser infeliz comigo, procuraremos transformar a infelicidade em felicidade."
uma das coisas mais bonitas que já li. :)

~ estou assistindo à serie "one day at a time".
uma família de imigrantes cubanos vivendo nos estados unidos. mãe divorciada, dois filhos adolescentes, uma delas assumidamente lésbica, e a mãe da mãe, já viúva.
é leve sem ser boba. eu tenho gostado.

~ acho que minhas séries preferidas de todos os tempos são handmaid's tale e please like me.
não lembro quem me indicou please like me. deve ter sido júlio.

~~

talvez seja preciso desistir de terminar o livro, o romance que estive escrevendo.
perdi o prazo do prêmio sesc já, e suspendi a escrita desse livro porque ela não me faz tão bem, em específico. o processo de escrevê-lo. quero e acho necessário, mas me dói.

também tenho pensado nisso ultimamente, de um jeito mais amplo,
no quão eu sou ~millenial, e fico empurrando as coisas e dando desculpas sempre apoiadas na saúde mental e física, na necessidade de tempo livre, etc e mais. eu deveria sentar e fazer. ir e fazer. trabalhar mais. estudar mais.
eu sou devagar e muito pouco produtiva, muito acomodada.

colei grau dez dias atrás, terminei uma sequência de duas graduações. aí estou no doutorado, sem planos de trabalhar logo. "ah porque eu tenho a bolsa, não posso trabalhar". mas sei que no fundo estou acomodada.
eu deveria me mexer mais.
e aí esse semestre eu vou pra brasília e pagar duas matérias do doutorado lá. massa. meses totais dedicados ao estudo e a tese. que bom que tenho essa chance, essa oportunidade. e aí nos dois semestres seguintes eu devo cumprir a docência assistida, já que sou bolsista e tenho essa obrigação com a capes. e aí postergo a minha ideia de trabalhar formalmente depois desse período. ou seja, daqui a três semestres. porque fico pensando que "é muita coisa para se dedicar ao mesmo tempo".

eu sou muito é fresca.

preciso, pelo menos, levar mais a sério esse meu trabalho que é estudar. fazer com mais afinco, com mais seriedade, com mais horas durante o dia.
tenho duas semanas até viajar para brasília e devo acelerar essa dedicação. ir mais à biblioteca e dar cabimento ao dinheiro público que me pagam. produzir, publicar.

com ou sem depressão.
fico também na culpa de "depressão é minha cabeça desocupada, tempo livre demais, trabalho de menos, se tivesse casa pra sustentar não ia ficar sofrendo por x e y, etc etc etc".

E AÍ DEVO SEGUIR E TERMINAR DE ESCREVER O LIVRO. ORA.

novas

falei a psiquiatra que a depressão é como um mito da caverna às avessas. você estava fora da caverna, vivendo no iluminado, na ilusão do bom, até que um dia entrou na caverna e demorou a sair. te ajudaram, você saiu, mas a caverna agora é conhecida sua, você agora sabe que ela existe, como é, o que te faz sentir, e o que ela representa em relação ao iluminado do lado de fora: que ele é mentiroso. ou, pior, que ele pode até ser verdade, mas você é incapaz de senti-lo novamente como verdadeiro. a caverna foi uma espécie de perdição. você perdeu definitivamente a capacidade de acreditar na luz do lado de fora, mesmo que você volte a estar sob ela. 

ela dobrou a dose da medicação.
e eu pensei que estava racionalizando o humor deprimido e que isso era bom. eu falei que por muito tempo houve o desespero em estar triste, mas depois de um certo ponto, momento, você se acostuma a estar triste, a não sentir felicidade, e vai. 
mas parece que não pode ser assim. 
e aí o remédio de 10mg passa para 20mg. primeiro para 15, depois para 20. 

e foi uma semana tremendamente horrível. eu vinha pensando que "é preciso agir, mesmo sem coragem", conforme me disseram. e agi. e tomei decisões sentimentais importantes. e falei. e foi terrivelmente difícil, está sendo. 
tive dois dias de completa inexistência e total desistência essa semana. na total desistência acho que ainda estou. 
minha mãe também entrou em leve desespero, mas foi preciso eu dizer-lhe que eu não aguentava mais. talvez eu não aguente mesmo. 

seria muito bom ser feliz de novo, ou pelo menos acreditar que isso é possível. mas eu estou há um ano nessa, há um ano existindo sem sentir felicidade, desconfiando que eu não a sentirei nunca mais, e, honestamente, é difícil querer continuar dessa forma. 

ainda estão sendo dias difíceis, pós decisão e fala. não sei como vou sair deles. só tenho que esperar o tempo passar.  

domingo, 4 de fevereiro de 2018

~

consegui terminar de escrever um dos livros infantis, e luiza já começou a ilustrar. é um processo muito bom e muito interessante, essa parte do trabalho em conjunto. todo o trabalho, desde o início, tem sido em conjunto. eu escrevi sozinha mas ela foi lendo, relendo, opinando. aureliano também. e nesse processo houve muita reescrita.

mas a parte de vê-la desenhando, ao vivo, e ir dividindo o texto, é bem massa isso.
espero que eu consiga escrever sempre dessa forma. :)

trouxe comigo um livro infantil chamado "o carrinho da madame miséria", escrito por lise mélinand, uma autora francesa. o livro saiu pela (finada) cosac naify. as ilustrações lindas de tales a. m. ab'sáber.
a narrativa é protagonizada por uma moradora de rua, daquelas que andam pra cima e pra baixo com um carrinho de supermercado. simples e bonita e meio triste, é claro.

ontem interagi socialmente. não foi tão bom, mas não foi sofrido. aí esse tem sido o termômetro.
a sensação de que já morri, ou de que parte minha já morreu permanece. e eu tenho perambulado desse jeito mesmo.

sábado, 27 de janeiro de 2018

tô tentando (bastante) escrever e terminar esse romance.
mas sinto que me perco na história, que fica besta, que não falo 30% do que queria dizer, porque não sei como.
é um processo completamente diferente de escrever um conto. é outra arte. é quase como se ao invés de escrever eu fosse desenhar.

putz.
espero conseguir. e logo.
quero conseguir mandar pro prêmio sesc de literatura.